"Uma criança é como o cristal e como a cera. Qualquer choque, por mais brando, a abala e comove, e a faz vibrar de molécula em molécula, de átomo em átomo; e qualquer impressão, boa ou má, nela se grava de modo profundo e indelével." (Olavo Bilac)

"Un bambino è come il cristallo e come la cera. Qualsiasi shock, per quanto morbido sia
lo scuote e lo smuove, vibra di molecola in molecola, di atomo in atomo, e qualsiasi impressione,
buona o cattiva, si registra in lui in modo profondo e indelebile." (Olavo Bilac, giornalista e poeta brasiliano)

sábado, 11 de novembro de 2017

Leis jurídicas, leis sistêmicas e a prioridade de permanência na família de origem

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É interessante como as leis brasileiras de adoção respeitam as leis sistêmicas familiares. Ao menos, é o que se vê “no papel”. 
O fato de dar prioridade à criança de permanecer em sua família biológica, no intuito de proteger o seu direito intrinseco, de crescer no seu seio de origem, inserida em seu campo energético de nascimento, por exemplo, é algo altamente subjetivo e traz uma ordem social também muito profunda. Isso não faz referência ao sangue, mas à energia, ao seu destino. Destino num sentido mais amplo e não no sentido religioso. E é necessário uma profunda humildade para entender isso. Humildade, para não alimentarmos a pretensão de que temos o poder de “arrancá-la fisicamente” do convívio dos seus antenados. 
Esgotadas essas possibilidades de permanência, é que ela vai para adoção, o que é algo também muito precioso, mas faz parte de outra etapa. A partir daí, ela começa a fazer parte de dois sistemas familiares, o de origem e o de nascimento. Os dois são importantes e serão sempre essencias em sua vida. Um deu a vida e o outro deu a possibilidade dela continuar "existindo psicologicamente", na dignidade e no amor. 
Conhecer as leis sistêmicas, protege criança, família adotiva e biológica de sofrer as negativas consequências no caso de injustiças, do desrespeito a essas ordens, que a nossa lógica racional, muitas vezes, tem a impossibilidade de conceber.



Cintia Liana

terça-feira, 10 de outubro de 2017

A mulher do Júnior Lima, Monica Benini, faz parto humanizado domiciliar

A mulher do Júnior Lima, Monica Benini, faz parto humanizado domiciliar e isso é para se festejar. Só fortalece a causa e muito. 
Morando fora do Brasil, há tempos não sabia da trajetória atual desse talentoso músico e fiquei muito feliz em saber como ele está levando e escolhendo a sua estrada de vida. 
A sua mulher também expressa ser uma pessoa consciente, que vive muito fora do esquemas tradicionais. Feliz por eles.

Cintia Liana





Leia mais:

A família do músico Junior Lima e de Monica Benini cresceu. Nesta terça-feira (3), eles anunciaram o nascimento de Otto, primeiro filho dos dois. "OTTO CHEGOU!!! Fomos invadidos por uma felicidade e paixão arrebatadoras!!! Ele na... - Veja mais em https://tvefamosos.uol.com.br/noticias/redacao/2017/10/03/nasce-otto-primeiro-filho-de-junior-lima-e-monica-benini.htm?cmpid=copiaecola

quarta-feira, 4 de outubro de 2017

A psicóloga Cintia Liana na rádio italiana


Caros amigo e leitores, 
esse é o link da minha primeira entrevista em italiano. 
Falei sobre a minha chegada na Itália, psicologia neonatal, a importância da amamentação e psicologia familiar. 

Comecei amamentando. Militando. 
🙏


Programa By Night Roma, na "RadioRadio", FM104,5. 

🎧🎤🎙📻🎥

Acessem:

https://www.facebook.com/RadioRadioByNightRoma/videos/1449333915121243/?hc_ref=ARSRYYsO2pMGmRpdQQrUGLDOEVQEYQsTnh-rnKkX-SXBhxOzcmvNKIJi7M3OLZ9EM2o&pnref=story

A psicóloga Cintia Liana. 
Apoiando a amamentação.





A psicóloga Cintia Liana 
na "RadioRadio", FM104,5, em Roma, Itália. 

🎧🎤🎙📻🎥



segunda-feira, 8 de maio de 2017

O parto e a dignidade, um parto natural após um cesáreo

Após 3 meses e meio sem postar, hoje senti vontade de recomeçar falando do parto da minha segunda filha, um VBAC (Vaginal Burn After Cesarian) de sucesso. É isso, eu sou uma VBAC de sucesso e vim aqui contar essa história maravilhosa para vocês.

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"O parto e a dignidade"
Um parto natural após um cesáreo

Cintia Liana

Desde o parto da minha primeira filha alimentava o desejo de ter outro bebê. Parecia que ainda faltava alguém em casa. Agora sinto a minha família completa.
Como o meu primeiro parto não teve o período de expulsão e acabei fazendo um cesário depois de muitas horas de trabalho - porque não me deixaram parir na posição que desejava, porque não senti que tive privacidade, etc. - queria muito ter um segundo parto todo natural, sem anestesia ou nada que me fizesse estar longe da espontaneidade do fenômeno do nascimento.
Ao mesmo tempo sentia medo de um novo parto, mais especificamente de um cesáreo, e só engravidei depois de me liberar completamente desses temores através de uma constelação familiar com o meu colega psicólogo Dr. Stefano Silvestri. Esses medos não eram meus. Agarrei o meu destino com determinação.
Mesmo sabendo, antes mesmo de engravidar, que poderia e tentaria um parto natural, mudei o percurso dos planos do parto na segunda metade da gestação, alterando certas escolhas quando estava com 5 meses e meio. Não queria uma abordagem médica em minha gravidez.
Trabalhei as minhas limitações, crenças, insegurança. Não as aceitava. Pedi orientação espiritual para escolher os profissionais certos. Já fazia terapia, li muito, fiz outras constelações familiares, a essa altura fazendo o curso de formação em constelações com Dr. Silvestri. Recebi aplicações de Access Bars Conscionsness. Gostei tanto que comecei a fazer o curso para me tornar operadora de Bars e passei a repetir as frases de limpeza, para mudar antigas crenças. Fiz também o curso de parto Leboyer com Letizia Galiero, aprendiz do próprio Leboyer. Abri os meus horizontes mais ainda, mudei os meus pontos de vista, acreditei em algo muito maior para mim. Num país que estou aprendendo a conhecer, em busca de um Vbac (vaginal burn after cesarian - parto vaginal após cesáreo) com profissionais realmente respeitosos. Não queria correr o risco de apressarem o meu segundo parto novamente.
Dentre três indicadas, escolhi a que seria a minha doula, mais precisamente uma obstetriz - ostetrica em italiano - ela é também naturopatapara, Monica Marino, que me encaminhou para uma clínica, a Casa di Cura Villa Maria Pia em Roma. Queria, desta segunda vez, um hospital pequeno, mas todo equipado, acolhedor, talvez um parto na água. Me dei conta de que não queria o mesmo grande hospital "renomadíssimo" da primeira experiência, onde as mulheres parecem ser mais um número.
Mas o médico que me acompanharia junto à obstetriz queria que eu fizesse um cesário, porque não era um especialista em VBAC. Discutimos a possibilidade de um cesáreo como interveção depois do início do trabalho de parto, para ser menos traumático, para esperar a hora certa do bebê. Um cesáreo porque segundo ele o espessor de minha cicatriz estava abaixo do indicado para um parto natural e com as contrações poderia se abrir. Não me conformei, pois eu sabia que poderia fazer um parto espontâneo. A minha intuição gritava e dizia "confie em teu corpo, você pode, você tem compreensão!".
Eu e meu marido fomos a uma consulta com um dos maiores especialista da Itália em parto VBAC, o Dr. Carlo Piscicelli do hospital Cristo Re em Roma, indicado por uma das obstretrizes indicadas, a Sonia Di Pascali. Ele confirmou que a minha consciência estava certa, que eu era uma forte candidata ao VBAC, porque não era obesa, minha cicatriz era horizontal e eu tinha feito o cesáreo há mais de 1 ano e meio, melhor, há mais de 4 anos. Esses três pré requisitos fazem parte do protocolo da Organização Mundial da Saúde para um parto espontâneo depois do cesáreo. Quanto a espessura da cicatriz, isso consta só nos livros, pois na prática é mais esperado que tudo corra bem e uma ecografia não é capaz de medir bem essa espessura, tanto que fiz trê e cada uma era diferente da outra.
Abandonei o velho, abracei o meu lado forte e confiei na vida, na minha intuição. Tudo fluiu na mais perfeita ordem. A pedido meu, a minha obstetriz conseguiu mudar alguns protocolos da clínica para que eu tentasse um parto espontâneo, sem epidural e assinei os documentos de rotina do protocolo VBAC.
Duas semanas antes da data prevista para o parto, no dia 3 de fevereiro, comecei a sentir as contrações, A Monica (obstetriz) foi à minha casa e me examiou, quando eu atingi quase 4 centímetros de dilatação fomos para a clínica. Ter ela perto de mim fez toda a diferença, uma mulher sábia, segura, sensível e forte. Foi um dinheiro muito bem investido. Realmente bravíssima!
Fui no carro sentindo uma dor alucinante que me levava para o mágico mundo do parto, do nascimento. Eu aceitei aquela dor, que tem todo um motivo para existir , como bem sabe a famosa psicóloga Laura Gutman.
Já tinha uma consulta marcada pelo Skype, então no percurso fui falando ao telefone com uma obstetriz de Torino e operadora Bars, a Laura Sartorio, que me ajudava com as frases de Bars, para que eu fizesse um parto rápido e todo natural, com menos dor e sem medo, para que eu tivesse toda a consciência desse momento e o vivenciasse com facilidade, felicidade e glória. A Laura publicou um livro chamado Concepire Sè, que fala em como o Access Bars Consciosness ajuda na maternidade consciente.
Chegamos na clínica, deitei na cama para a monitoragem fetal, a bolsa estourou e naturalmente começaram as contrações para a expulção. Fui para a sala de parto. Meu marido me dando todo o apoio emocional e físicamente naquele momento que exigia de mim toda a minha força física. Como um bom marido é importante! Trabalhei na água, relaxei, depois quis sair e ficar de cócoras. Foi a experiência mais forte de minha vida. Mobilizou todas as minhas moléculas. Quando peguei a minha filha nos braços, ainda quente saindo do meu ventre, molhada e com o cheiro de liquido amniótico, ainda ligadas pelo cordão umbilical fiz contato com uma parte minha ancestral fortíssima. Tudo fez sentido. Conclui também um processo que me faltou no parto de minha primeira filha.
Saí da sala de parto andando, apoiada nos ombros de meu marido, me sentido a mulher mais incrível do mundo por ter conseguido realizar o meu sonho. Senti uma dignidade inexplicável, um amor diferente por minha mãe, por ter me parido com a mesma dor. Grande prova de amor da parte dela. Uma dor que nos leva além, que nos permite fazer contato com o bebê, que nos encaminha em direção ao nascimento de uma nova mulher. Paradoxalmente, hoje até compreendo uma mulher que tem medo do parto, mas eu escolhi um caminho sem medo, os caminhos para a consciência. Me cerquei de conhecimento e autoconhecimento e esses caminhos nos elevam.
Ri e chorei por horas. Até agora sinto um respeito e um orgulho de mim que me dizem que nunca mais serei a mesma.

Cintia Liana Reis de Silva
Psicóloga
Brasileira de nascimento, italiana de casamento
Vive e trabalha na Itália

Escrevi esse texto para dar força às muheres que querem confiar em si mesmas e alimentam o sonho do parto natural.

[Vorrei ringraziare alcuni professionisti di avanguardia, che mi hanno seguito in questo ricchissimo percorso e altri che ho fatto contatto per arricchire ancora di più il mio sguardo davanti alla potenza della nascita e che hanno creduto in me.
Monica Marino Claudia Casetti Dott. Stefano Silvestri Dr. Massimo Preziuso Dr. Ricardo Chemas Laura Sartorio]

#PartoCintiaLiana #Parto #SegundaFilha #SegundoPartoCintiaLiana #OPartoeaDignidade

Livro de Laura Sartorio
Concepire Sè

Cintia Liana
12 dias após o parto

Cintia Liana
24 dias após o parto

sábado, 21 de janeiro de 2017

A descoberta do parto



Curso de parto Leboyer, di Letizia Galiero e Sonia Di Pascali.
Nepi, Roma.

E imersa em um percurso de busca da plena consciência da gravidez, parto, nascimento, e pós parto descobrimos que a sociedade não sabe absolutamente nada sobre esses temas. As mulheres estão desaprendendo a parir, o parto virou um business, ele foi “roubado” pela ciência, pela medicalização.
As pessoas não fazem ideia de como é melhor para mãe e crianças serem “preparados” pelos hormônios no parto espontâneo. De como o ser espremido na hora da passagem prepara a criança psicologicamente para enfrentar a vida. O parto é um fenômeno da natureza. Se podemos escolher, então que sejamos pela natureza.
E o que me assusta é que muitas mulheres são induzidas a caírem na armadilha do cesáreo. Tem gente que as aterrorizam. A maioria dos médicos inventam as coisas mais inimagináveis para conduzi-las ao cesáreo e elas acreditam! Por desinformação, por inexperiência, por medo. Muitas nunca se darão conta depois de que foram enganadas e as que se dão conta buscam um segundo parto natural com todas as forças, mas nem todas as estruturas de hospitais são preparadas para um parto Vbac (Vaginal Burn after Cesarian - parto vaginal depois do cesáreo), então elas têm que se desdobrar para buscar as "pessoas certas".
Parto domiciliar hoje é luxo, não só no Brasil como na Itália, mas é mais luxo ainda porque as pessoas que o procura são aquelas que têm uma compreensão diferente do parto e aquelas que se permitem o melhor.
Eu desejo às mulheres mais consciência, mais informação, mais força, que escolham experimentar a dor do parto sem medo, porque essa dor tem todo um sentido especial para existir, as auguro mais partos espontâneos e domiciliares, porque a nossa "toca" é o lugar mais seguro e acolhedor do mundo, mais hospitais humanizados, mais acolhimento, mais intimidade, sabedoria e desapego a antigas crenças a esquemas familiares para se unirem a homens que as apoiem emocionalmente e em todos os outros sentidos. Leiam Leboyer, mulheres!
Nós não podemos aceitar mais violência obstétrica em favor da ganância, da ignorância e do dinheiro, devemos ser o instrumento de força para que a mudança aconteça e que seja uma mudança para o que há de mais autêntico, saudável e verdadeiro para a humanidade.

Cintia Liana Reis de Silva, psicóloga

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

O parto natural e a compreensão

Para um parto natural e/ou em casa não é preciso coragem, é preciso compreensão. Quando tudo está em harmonia não existe luta, não existem dúvidas. Hoje um parto desse nível virou luxo, não só porque a mulher precisa estar disponível para se conectar com a sua força primitiva, mas também porque ela precisa desenvolver a compreensão de que o fenômeno do nascimento não um acontecimento médico e mais ainda porque ela precisa abrir portas para conhecer os profissionais certos, que não terão uma postura medicamentosa. 
Cintia Liana

Indicação de livro:
Nascer Sorrindo, Frédérick Leboyer

"O livro 'Nascer sorrindo', do Dr. Leboyer, um obstetra francês que usa técnicas inovadoras no parto, defende que, como a criança está envolta por líquido, que abafa o som e a mantém no escuro durante toda a gestação, quentinha, aconchegada, o momento do parto é extremamente traumático para ela. De repente, luz, barulho, frio. Esse choque afeta a pessoa deixando sequelas irreparáveis em sua personalidade. Por isso ele mantém as salas de parto na penumbra e silêncio. A criança é, depois de 'expulsa', imediatamente envolta de modo a manter-lhe o calor e sua adaptação ao meio externo é feita gradual e lentamente. Depois de alguns meses de aplicação da técnica, foi convocada uma reunião para avaliar os resultados e chegou-se à conclusão de que os bebês nasciam sorrindo, pois o parto se dá sem violência."

"L'Arte di Partorire", livro de Frédérick Leboyer em italiano
Vem com alguns exercícios simples, e com técnicas orientais de canto e de respiração propostas em um CD anexo ao livro

"O Renascimento do Parto"

O primeiro parto de Gisele Büdchen"


"O pré natal com uma parteira é muito diferente." (Andrea Santa Rosa)

quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Constelações Sistêmicas

Google Imagens


Por Karla de Araújo

Aceitar pai e mãe, incluir os excluídos, separar o que está misturado, quebrar padrões negativos repetitivos, dar e receber com equilíbrio, harmonizar o masculino e o feminino, honrar a família e ter permissão para seguir e ser feliz!

Às vezes, estamos fora de nosso verdadeiro lugar em nossas famílias, em um papel que não é realmente o nosso; como por exemplo, irmão que toma o lugar de pai, filha que toma o lugar de mulher do pai (tudo isso no inconsciente), mãe que se comporta como filha da filha; filhos que tomam as crenças e o fardo dos pais para si, ficando assim impossibilitados de seguir seu próprio caminho. Repetição de padrões negativos, doenças psicossomáticas, disfunções sexuais, filhos que não "crescem" por terem medo de não serem mais amados pelos pais, cônjuge que não se independe da influência dos pais depois de se casar, identificação excessiva com algum ente querido que já morreu impossibilitando a pessoa de olhar para seu trabalho e sua vida,etc. Tudo isso influi na disponibilidade ou não do indivíduo para uma vida saudável e próspera.

A Constelação Sistêmica Familiar quebra os círculos viciosos. Revela os mecanismos inconscientes do nosso comportamento e as influências externas. Quando essas influências se mostram nas constelações, o indivíduo recupera seu poder de fazer escolhas, se torna mais livre e produtivo. As consultas podem ser realizadas individualmente ou em grupo.

A Constelação Familiar foi desenvolvida por Bert Hellinger que elaborou suas inerentes "ordens do amor". Gunthard Weber e outros a estenderam para constelações em contextos organizacionais e em outros contextos. Matthias Varga Von Kibéd e Insa Sparrer desenvolveram estes conceitos mais além, em "Constelações Sistêmicas de Estrutura" e forneceram uma experiência metodológica e teórica. Bernd Isert criou um método holístico que reúne estes conceitos e métodos da PNL e cinesiologia.

A meta do trabalho de constelação é resolver envolvimentos, separar misturas e incluir partes do sistema anteriormente excluídas, a fim de permitir que o cliente alcance a integração em um nível mais elevado do que antes. É uma terapia breve capaz de identificar a origem de muitos dos "males" que nos afligem e, através da energia do amor, desatar nós e abrir novas possibilidades para o futuro. Este trabalho se baseia na existência de uma consciência familiar que "rege" nossos destinos. Cada vez que uma das ordens desta consciência é quebrada, ela age no sistema familiar, através de seus membros, "exigindo" uma compensação. Uma destas ordens é o direito ao pertencimento: todos, no sistema familiar, têm o mesmo direito de pertencer. Isto implica que, cada vez que alguém é excluído do sistema, normalmente por questões morais, a consciência familiar escolhe um membro de uma geração posterior ao excluído para que tenha um destino semelhante e difícil. Crianças abortadas, criminosos, alcoólatras, doentes mentais, prostitutas, filhos ilegítimos, todos se enquadram neste grupo de excluídos. Somente quando estas pessoas são reconhecidas e incluídas no coração da família, aquele que estava identificado com o excluído pode seguir seu próprio destino livremente.

O trabalho sistêmico vem a partir da concepção da vida, do fluir no desenvolvimento natural. Estamos inseridos dentro de um grande sistema contínuo, de diversos elementos que se interagem e de certa forma são interdependentes uns com os outros. Nenhum organismo é um sistema estático, fechado ao mundo exterior; e sim um sistema aberto, onde há uma constante troca de informações entre os mais diversos níveis.
Não temos como falar de constelação familiar sem falar da visão sistêmica.

Nascemos dentro de um sistema familiar, que existe há muitos anos e onde não sabemos direito o seu histórico por completo. Foram gerações atrás de gerações, com muitas histórias, acontecimentos, e situações felizes e trágicas. Herdamos através dos nossos pais e ancestrais toda a carga morfogenética (morfo=forma) e não damos conta dos padrões, das crenças e até mesmo das repetições de estórias dentro da nossa família.

Outra ordem, a de precedência, significa que quem vem antes dá e quem vem depois recebe; quem vem primeiro tem prioridade. Quando alguém toma o lugar de outro que o precede, o sistema familiar entra em desequilíbrio. Um filho que assume "ares" de pai, um irmão caçula que se arroga direitos de primogênito, um filho que toma para si os problemas dos pais e os coloca em julgamento, são alguns perturbadores desta ordem. Durante a Constelação Familiar, estas dinâmicas ocultas afloram de maneira surpreendente.

“O trabalho de constelação familiar é uma oportunidade de identificarmos de forma consciente o que está acontecendo com o sistema familiar, podendo assim resolver os conflitos a partir da escolha interna de cada um.

”A constelação sistêmica pode ser realizada em grupo (workshop) ou individualmente com utilização de bonecos ou figuras. A terapia se dá através da reunião do terapeuta, do cliente e de um grupo de pessoas que são convidadas a representar membros da família do cliente. A sessão tem início quando o cliente manifesta a questão que quer trabalhar e escolhe representantes para seus familiares. Neste momento, instala-se no ambiente um "campo" que traz à luz aquilo que está atuando em seu sistema familiar. A melhor analogia é o fato de que, a todo instante, milhares de ondas de rádio cruzam o espaço sem que possamos acessá-las. Assim que um aparelho de rádio é ligado e uma determinada freqüência é escolhida, passamos a ouvir imediatamente sua programação. No caso das constelações familiares, o membro da família é o responsável por "autorizar" que a freqüência de sua família seja sintonizada e possa ser captada no ambiente. A partir de como os representantes se sentem e se movimentam, é possível perceber os emaranhados com clareza e dar início à sua dissolução.

Podemos fazer Constelação para ajudar em conflitos familiares (pais, filhos, irmãos, tios, avós), conflitos entre casais, dificuldade em lidar com perdas de parentes, pessoas queridas ou parceiros, dificuldade em relacionar-se de uma forma geral, dificuldade em comunicar-se, problemas de saúde, conflitos entre sócios, funcionários e clientes, problemas financeiros, entre outras coisas.

Karla de Araujo



http://www.alinhamento-energetico.com/constela%C3%A7%C3%B5es%20sist%C3%AAmicas/

domingo, 13 de novembro de 2016

20 coisas que mãe detesta!

Foto retirada da página Facebook da Dra. Camila Milagres

Dra. Camila Milagres
1. Que acorde o bebê/criança;
2. Que dê comida sem perguntar antes se pode;
3. Que fique passando o bebê de colo em colo (quando é recém-nascido);
4. Que pegue o bebê no colo e não solte mais (quando é recém-nascido);
5. Que beije a mão e rosto do bebê (quando é recém-nascido);
6. Que faça visitas sem avisar (também quando é recém-nascido. Tudo é mais complicado nessa fase);
7. Que questione se mama no peito.
8. E, se a resposta for não, que questione por que não mama.
9. E, se a resposta for sim, que questione por que ainda mama nessa idade (não dá para acertar nunca, vocês já viram, né!);
10. Que fique perguntando por que a criança chora tanto;
11. Que fique perguntando por que a criança não dorme;
12. Que fique perguntando, sem parar, se o bebê não está com frio, calor, fome, entre outros…
13. Que questione a decisão do tipo de parto;
14. Que questione por que o bebê ainda não senta, não fala, não engatinha, não anda;
15. Que insista que no seu tempo as coisas eram diferentes (e melhores);
16. Que faça comparações seja da criança ou da mãe;
17. Que questionem a decisão de colocar na escolinha, não colocar na escolinha, contratar babá, não contratar babá, largar o trabalho para cuidar do filho (enfim, qualquer uma dessas decisões. Não é necessário questionar, garanto que a decisão foi muito, muito, muito bem pensada! E, muitas vezes, sofrida);
18. Que condene as decisões sobre a alimentação da criança (sempre tem alguém achando que é um exagero os pais darem só orgânicos, ao mesmo tempo existem pais que não selecionam o que seus filhos comem);
19. Que fique contando vantagem, falando que o filho dormiu a noite toda com dois meses, atingiu todos os marcos de desenvolvimento antes da hora, come de tudo sem reclamar e é super comportado (mentir é feio, viu! kkk!);
20. E, principalmente, que julgue e condene sem nem saber o que se passa na casa do outro. Uma das coisas mais comuns hoje em dia! Até para quem é mãe e bastante experiente no assunto (que vergonha!!!).

Quer aumentar essa lista? Com certeza dá! Deixe nos comentários abaixo a listinha das coisas que você detesta quando fazem com você ou com os filhotes. Com certeza muitas outras mães vão se identificar.
Texto retirado da página Facebook da Dra. Camila Milagres

sexta-feira, 11 de novembro de 2016

Dia Mundial da Adoção, participe. Terça, 15 de novembro 2016, Brasil

Dia mundial da adoção

Dia 15 de Novembro é realizada uma grande mobilização para celebrar o Dia Mundial da Adoção (World Adoption Day). E nós do Voluntários do Bem que apoiamos e incentivamos a adoção não poderíamos ficar de fora! 

A campanha visa mobilizar o maior número de pessoas em todos os países do mundo com o objetivo principal de gerar um mundo sem órfãos. 

Para participar e colaborar basta você no dia 15/11 desenhar uma carinha sorridente (smiley ****) na sua mão, tirar uma foto e postar nas redes sociais usando a hashtag #WorldAdoptionDay e #DiaMundialDaAdoção.
Terça, 15. Novembro 2016, Brasil, Dia Mundial da Adoção, Participe :)

Fonte: https://pt-br.fievent.com/e/dia-mundial-da-adocao-participe/5156349

Doulas, obstetrizes, ginecologistas e obstetras - a diferença na Itália


Foto: Bebê Atual



Por Cintia Liana Reis de Silva

A gente muda de país e depois de 6 anos ainda tem um montão de coisas interessantes para descobrir sobre a língua, os símbolos, a subjetividade da comunicação e o significado de muitas outras coisas. Como sou uma profissional de saúde, da mente, estou sempre pesquisando e tentado tirar todos os véus de preconceitos que muitas vezes podem cair diante dos nossos olhos. 

Essa semana descobri que aqui na Itália também tem a profissional "doula", que tem o mesmo nome usado em português, que vem do grego "mulher que serve". Mas, infelizmente, é uma profissional nada difundida no cenário da gestação, parto e pós parto. Nunca ouvi falar aqui. Quem me deu essa informação foi a minha terapeuta, a única pessoa que conheço que conhece (ou que me falou dessa profissão) esse trabalho aqui na Itália. Parece surreal.

Outra coisa interessante, mas essa eu já sabia, é que a "ostetrica" não é a obstetra em português, é a obstetriz e eu pensava que fosse a doula. Esta é muito comum até nos hospitais, mas infelizmente a sociedade ainda tem o médico como o principal sujeito nesse cenário do nascimento, mas as obstetrizes explicam que a gestação, o parto e o pós parto não são fenômenos médicos, mesmo que exijam conhecimento e cuidados e que elas é que devem acompanhar, pois o médico deve acompanhar as gestantes que tenham problemas ou alguma doença, enquanto o trabalho delas (das obstetrizes) é também de fazer a mulher entrar em contato com a sua gravidez em muitos outros níveis que vão além do consciente, então trata-se de um acompanhamento de educação emocional para esse momento de sua vida. 

No Brasil o ginecologista e o obstetra podem ser profissionais distintos, são duas residências diversas, mas na Itália todo ginecologista também faz o trabalho de um obstetra, então não tem tradução para obstetra em italiano, aqui na Itália é sempre "ginecologo".

O psicólogo deveria fazer parte de todo esse processo. Os profissionais deveriam trabalhar em equipe, mas não é bem assim e o psicólogo aqui na Itália praticamente não existe no mundo do nascimento.

Um estrangeira, que chega na Itália sem entender isso faz como a maioria, sem informação da melhor qualidade, ou seja, vai ao "ginecologo" e dá a luz num hospital, que segundo as obstetrizes italianas, é o lugar mais impróprio e frio para o parto, consideram a casa "a toca" da mulher "partoriente" e puérpera, o lugar mais caloroso e seguro para um parto consciente, onde ela é capaz de ser ela mesma e seguir o fluxo da vida. Mas as obstetrizes também trabalham em clínicas e hospitais públicos e particulares. 

Elas não usam o termo "parto humanizado" porque, segundo elas, remete a caridade, então elas usam o termo "parto respeitoso" ou "parto normal".

Pesquisando e ouvindo algumas obstetrizes e observando tudo em torno tenho descoberto como ainda existe um mundo de ignorância sobre a realidade sutil e prática do universo do nascimento. Hoje é um luxo poder parir na água, por exemplo, seja em casa ou numa boa clínica, com o devido respeito à mãe e ao bebê. Quem tem que fazer o movimento de mudança somos nós, com o nosso conhecimento.


Por Cintia Liana Reis de Silva

domingo, 6 de novembro de 2016

A Cólica - Por Dr. Carlos González

Palavras que iluminam a vida. 
A cólica que não é cólica.

Foto: Lugar da Mulher

Por Dr. Carlos González

Os bebês ocidentais costumam chorar bastante durante os primeiros meses, o que se conhece como cólica do lactente ou cólica do primeiro trimestre. Cólica é a contração espasmódica e dolorosa de uma víscera oca; há cólicas dos rins, da vesícula e do intestino. Como o lactente não é uma vesícula oca e o primeiro trimestre muito menos, o nome logo de cara não é muito feliz. Chamavam de cólica porque se acreditava que doía a barriga dos bebês; mas isso é impossível saber. A dor não se vê, tem de ser explicada pelo paciente. 
Quando perguntam a eles: “por que você está chorando?”, os bebês insistem em não responder; quando perguntam novamente anos depois, sempre dizem que não se lembram. Então ninguém sabe se está doendo a barriga, ou a cabeça, ou as costas, ou se é coceira na sola dos pés, ou se o barulho está incomodando, ou simplesmente se estão preocupados com alguma notícia que ouviram no rádio. Por isso, os livros modernos frequentemente evitam a palavra cólica e preferem chamar de choro excessivo na infância. É lógico pensar que nem todos os bebês choram pelo mesmo motivo; alguns talvez sintam dor na barriga, mas outro pode estar com fome, ou frio, ou calor, e outros (provavelmente a maioria) simplesmente precisam de colo.

Tipicamente, o choro acontece sobretudo à tarde, de seis às dez, a hora crítica. Às vezes de oito à meia-noite, às vezes de meia-noite às quatro, e alguns parecem que estão a postos vinte e quatro horas por dia. Costuma começar depois de duas ou três semanas de vida e costuma melhorar por volta dos três meses (mas nem sempre).

Quando a mãe amamenta e o bebê chora de tarde, sempre há alguma alma caridosa que diz: “Claro! De tarde seu leite acaba!”. Mas então, por que os bebês que tomam mamadeira têm cólicas? (a incidência de cólica parece ser a mesma entre os bebês amamentados e os que tomam mamadeira). Por acaso há alguma mãe que prepare uma mamadeira de 150 ml pela manhã e de tarde uma de 90 ml somente para incomodar e para fazer o bebê chorar? Claro que não! As mamadeiras são exatamente iguais, mas o bebê que de manhã dormia mais ou menos tranquilo, à tarde chora sem parar. Não é por fome.

“Então, por que minha filha passa a tarde toda pendurada no peito e por que vejo que meus peitos estão murchos?” Quando um bebê está chorando, a mãe que dá mamadeira pode fazer várias coisas: pegar no colo, embalar, cantar, fazer carinho, colocar a chupeta, dar a mamadeira, deixar chorar (não estou dizendo que seja conveniente ou recomendável deixar chorar, só digo que é uma das coisas que a mãe poderia fazer). A mãe que amamenta pode fazer todas essas coisas (incluindo dar uma mamadeira e deixar chorar), mas, além disso, pode fazer uma exclusiva: dar o peito. A maioria das mães descobrem que dar de mamar é a maneira mais fácil e rápida de acalmar o bebê (em casa chamamos o peito de anestesia), então dão de mamar várias vezes ao longo da tarde. Claro que o peito fica murcho, mas não por falta de leite, mas sim porque todo o leite está na barriga do bebê. O bebê não tem fome alguma, pelo contrário, está entupido de leite.

Se a mãe está feliz em dar de mamar o tempo todo e não sente dor no mamilo (se o bebê pede toda hora e doem os mamilos, é provável que a pega esteja errada), e se o bebê se acalma assim, não há inconveniente. Pode dar de mamar todas as vezes e todo o tempo que quiser. Pode deitar na cama e descansar enquanto o filho mama. Mas claro, se a mãe está cansada, desesperada, farta de tanto amamentar, e se o bebê está engordando bem, não há inconveniente que diga ao pai, à avó ou ao primeiro voluntário que aparecer: “pegue este bebê, leve para passear em outro cômodo ou na rua e volte daqui a duas horas”. Porque se um bebê que mama bem e engorda normalmente mama cinco vezes em duas horas e continua chorando, podemos ter razoavelmente a certeza de que não chora de fome (outra coisa seria um bebê que engorda muito pouco ou que não estava engordando nada até dois dias atrás e agora começa a se recuperar: talvez esse bebê necessite mamar muitíssimas vezes seguidas). E sim, se pedir para alguém levar o bebê para passear, aproveite para descansar e, se possível, dormir. Nada de lavar a louça ou colocar em dia a roupa para passar, pois não adiantaria nada.

Às vezes, acontece de a mãe estar desesperada por passar horas dando de mamar, colo, peito, colo e tudo de novo. Recebe seu marido como se fosse uma cavalaria: “por favor, faça algo com essa menina, pois estou ao ponto de ficar doida”. O papai pega o bebê no colo (não sem certa apreensão, devido às circunstâncias), a menina apoia a cabecinha sobre seu ombro e “plim” pega no sono. Há várias explicações possíveis para esse fenômeno. Dizem que nós homens temos os ombros mais largos, e que se pode dormir melhor neles. Como estava há duas horas dançando, é lógico que a bebê esteja bastante cansada. Talvez precisasse de uma mudança de ares, quer dizer, de colo (e muitas vezes acontece o contrário: o pai não sabe o que fazer e a mãe consegue tranquilizar o bebê em segundos).

Tenho a impressão (mas é somente uma teoria minha, não tenho nenhuma prova) de que em alguns casos o que ocorre é que o bebê também está farto de mamar. Não tem fome, mas não é capaz de repousar a cabeça sobre o ombro de sua mãe e dormir tranqüilo. É como se não conhecesse outra forma de se relacionar com sua mãe a não ser mamando. Talvez se sinta como nós quando nos oferecem nossa sobremesa favorita depois de uma opípara refeição. Não temos como recusar, mas passamos a tarde com indigestão. No colo da mamãe é uma dúvida permanente entre querer e poder; por outro lado, com papai, não há dúvida possível: não tem mamá, então é só dormir.

Minha teoria tem muitos pontos fracos, claro. Para começar, a maior parte dos bebês do mundo estão o dia todo no colo (ou carregados nas costas) de sua mãe e, em geral, descansam tranquilos e quase não choram. Mas talvez esses bebês conheçam uma outra forma de se relacionar com suas mães, sem necessidade de mamar. Em nossa cultura fazemos de tudo para deixar o bebê no berço várias horas por dia; talvez assim lhes passemos a idéia de que só podem estar com a mãe se for para mamar.

Porque o certo é que a cólica do lactente parece ser quase exclusiva da nossa cultura. Alguns a consideram uma doença da nossa civilização, a consequência de dar aos bebês menos contato físico do que necessitam. Em outras sociedades o conceito de cólica é desconhecido. Na Coreia, o Dr. Lee não encontrou nenhum caso de cólica entre 160 lactentes. Com um mês de idade, os bebês coreanos só passavam duas horas por dia sozinhos contra as dezesseis horas dos norteamericanos. Os bebês coreanos passavam o dobro do tempo no colo que os norteamericanos e suas mães atendiam praticamente sempre que choravam. As mães norteamericanas ignoravam deliberadamente o choro de seus filhos em quase a metade das vezes.

No Canadá, Hunziker e Barr demonstraram que se podia prevenir a cólica do lactente recomendando às mães que pegassem seus bebês no colo várias horas por dia. É muito boa idéia levar os bebês pendurados, como fazem a maior parte das mães do mundo. Hoje em dia é possível comprar vários modelos de carregadores de bebês nos quais ele pode ser levado confortavelmente em casa e na rua. Não corra para colocar o bebê no berço assim que ele adormecer; ele gosta de estar com a mamãe, mesmo quando está dormindo. Não espere que o bebê comece a chorar, com duas ou três semanas de vida, para pegá-lo no colo; pode acontecer de ter “passado do ponto” e nem no colo ele se acalmar. Os bebês necessitam de muito contato físico, muito colo, desde o nascimento. Não é conveniente estarem separados de sua mãe, e muito menos sozinhos em outro cômodo. Durante o dia, se o deixar dormindo um pouco em seu bercinho, é melhor que o bercinho esteja na sala; assim ambos (mãe e filho) se sentirão mais seguros e descansarão melhor.

A nossa sociedade custa muito a reconhecer que os bebês precisam de colo, contato, afeto; que precisam da mãe. É preferível qualquer outra explicação: a imaturidade do intestino, o sistema nervoso... Prefere-se pensar que o bebê está doente, que precisa de remédios. Há algumas décadas, as farmácias espanholas vendiam medicamentos para cólicas que continham barbitúricos (se fazia efeito, claro, o bebê caía duro). Outros preferem as ervas e chás, os remédios homeopáticos, as massagens. Todos os tratamentos de que tenho notícia têm algo em comum: tem de tocar no bebê para dá-lo. O bebê está no berço chorando; a mãe o pega no colo, dá camomila e o bebê se cala. Teria se acalmado mesmo sem camomila, com o peito, ou somente com o colo. Se, ao contrário, inventassem um aparelho eletrônico para administrar camomila, ativado pelo som do choro do bebê, uma microcâmera que filmasse o berço, um administrador que identificasse a boca aberta e controlasse uma seringa que lançasse um jato de camomila direto na boca... Acredita que o bebê se acalmaria desse modo? Não é a camomila, não é o remédio homeopático! É o colo da mãe que cura a cólica.

Taubman, um pediatra americano, demonstrou que umas simples instruções para a mãe (tabela 1) faziam desaparecer a cólica em menos de duas semanas. Os bebês cujas mães os atendiam, passaram de uma média de 2,6 horas ao dia de choro para somente 0,8 horas. Enquanto isso, os do grupo de controle, que eram deixados chorando, choravam cada vez mais: de 3,1 horas passaram a 3,8 horas. Quer dizer, os bebês não choram por gosto, mas porque alguma coisa está acontecendo. Se são deixados chorando, choram mais, se tentam consolá-los, choram menos (uma coisa tão lógica! Por que tanta gente se esforça em nos fazer acreditar justo no contrário?).

Tabela 1 – Instruções para tratar a cólica, segundo Taubman (Pediatrics 1984;74:998)

1- Tente não deixar nunca o bebê chorando.
2- Para descobrir por que seu filho está chorando, tenha em conta as seguintes possibilidades:
a- O bebê tem fome e quer mamar.
b- O bebê quer sugar, mesmo sem fome.
c- O bebê quer colo.
d- O bebê está entediado e quer distração.
e- O bebê está cansado e quer dormir.
3- Se continuar chorando durante mais de cinco minutos com uma opção, tente com outra.
4- Decida você mesma em qual ordem testará as opções anteriores.
5- Não tenha medo de superalimentar seu filho. Isso não vai acontecer.
6- Não tenha medo de estragar seu filho. Isso também não vai acontecer.


No grupo de controle, as instruções eram: quando o bebê chorar e você não souber o que está acontecendo, deixe-o no berço e saia do quarto. Se após vinte minutos ele continuar chorando, torne a entrar, verifique (um minuto) que não há nada, e volte a sair do quarto. Se após vinte minutos ele continuar chorando etc. Se após três horas ele continuar chorando, alimente-o e recomece.

As duas últimas instruções do Dr. Taubman me parecem especialmente importantes: é impossível superalimentar um bebê por oferecer-lhe muita comida (que o digam as mães que tentam enfiar a papinha em um bebê que não quer comer); e é impossível estragar um bebê dando-lhe muita atenção. Estragar significa prejudicá-lo. Estragar uma criança é bater nela, insultá-la, ridicularizá-la, ignorar seu choro. Contrariamente, dar atenção, dar colo, acariciá-la, consolá-la, falar com ela, beijá-la, sorrir para ela são e sempre foram uma maneira de criá-la bem, não de estragá-la.

Não existe nenhuma doença mental causada por um excesso de colo, de carinho, de afagos... Não há ninguém na prisão, ou no hospício, porque recebeu colo demais, ou porque cantaram canções de ninar demais para ele, ou porque os pais deixaram que dormisse com eles. Por outro lado, há, sim, pessoas na prisão ou no hospício porque não tiveram pais, ou porque foram maltratados, abandonados ou desprezados pelos pais. E, contudo, a prevenção dessa doença mental imaginária, o estrago infantil crônico , parece ser a maior preocupação de nossa sociedade. E se não, amiga leitora, relembre e compare: quantas pessoas, desde que você ficou grávida, avisaram da importância de colocar protetores de tomada, de guardar em lugar seguro os produtos tóxicos, de usar uma cadeirinha de segurança no carro ou de vacinar seu filho contra o tétano? Quantas pessoas, por outro lado, avisaram para você não dar muito colo, não colocar para dormir na sua cama, não acostumar mal o bebê?

Lee K. The crying pattern of Korean infants and related factors. Dev Med Child Neurol. 1994; 36:601-7

Hunziker UA, Barr RG. Increased carrying reduces infant crying: a randomized controlled trial. Pediatrics 1986;77:641-8
Taubnan B. Clinical trial of treatment of colic by modification of parent-infant interaction. Pediatrics 1984;74:998-1003


Do livro Un regalo para toda la vida- Guía de la lactancia materna,Carlos González

Tradução: Fernanda Mainier